sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Urbem Spes - cap 3 - A vida so acaba quando deixamos acabar - parte 3

Júlio ficou ali parado, paralisado, aquele corpo no chão, todo aquele sangue na parede e próximo ao seus pés, ele deve ter ficado ali por alguns minutos até recobrar a consciência e falar:
-Ele... Ele está... Ele está morto!?

-Se acostume, se necessário você o fará na próxima vez!
Artur deixa a sala e tranca Júlio na mesma, o deixando sozinho com aquela poça de sangue e com a arma usada para aquele ato.
Júlio entra em desespero sem saber o que fazer, começa a bater na porta com muita força, a pequena janela na mesma se abre e seu pai fala:
-Seu treino agora é fugir daí antes que eu volte, pois quando eu voltar o próximo tiro vai ser em você!
Júlio se desespera ainda mais, mas se ele estava ali com aquela arma ele deveria usa-la para escapar, Júlio estava limitado, a sala estava vazia, tinha apenas o corpo, sangue e um revolver com duas balas, cujo uma ele gastou tentando atirar na fechadura pois havia se esquecido que a porta era trancada por fora.

Júlio passa duas horas sentado vendo aquele corpo, como se a qualquer momento ele fosse se levantar, mas não iria acontecer sabia o jovem. Finalmente teve uma ideia, deitou próximo ao sangue, com muita relutância, mas tinha que fugir, pegou o revolver e usou a arma para atirar para cima, pois ele acreditava que era o sinal que Artur esperava receber para finalmente entrar e chegar se ele teria conseguido, mas aquele não era um sinal para Artur, quem entrou na sala foi um dos guardas que na hora que foi checar se ele realmente havia se matado foi surpreendido por uma rasteira e por um golpe em sua cabeça.
Júlio ao sair da sala escuta som de palmas, era Artur, parabenizando o jovem por ter saído da sala:
- Muito bom Júlio...
- Você queria me matar seu louco!?
- Olha como fala com seu pai, garoto insolente!
- Por quê? O que te fez ter certeza que eu não me mataria?
- Porque você é um Statera!  Nossa família não desiste fácil!
- Mas que treino foi esse por acaso??
- Esse treino era para ver como você reagiria sobre pressão, todos os guardas passam por ele... Bom, nem todos saem vivo...
- Tá me dizendo que vocês executam prisioneiros para causar pressão nos soldados!?!?
- Não prisioneiros meu filho, eles são Clones metamorfos.
- Clones metamorfos? Que é isso!?
- Clone metamorfo é um clone do DNA de um metamorfo que é feito no laboratório principal aqui no prédio, primeiro tivemos que achar um metamorfo, mas só encontrávamos mortos, tiramos do morto mesmo, afinal metamorfos são muito difíceis de encontrar e depois do grande massacre dos lobisomens poucos sobraram. É uma espécie que consegue assumir qualquer forma que consiga manter uma forma humanoide, ele pode tomar sua forma apenas te tocando, assim como os lobisomens eles tem um fraco por prata, sua regeneração é bem parecida com os dos lobisomens.
- Mas Pai porque mata-los? Porque não usa-los como soldados?
 - Enfim, por termos encontrado apenas mortos, o gene veio com problemas e não conseguimos mante-los vivos por mais que alguns dias, então por enquanto usamos esse clones metamorfos para treinamento dos soldados, não os usamos como soldados porque eles podem morrer a qualquer momento e seria uma brecha em nossa guarda constante que ainda assim tem falhas...
- Ok...
- Não se apegue... Nesse mundo pessoas próximas tendem a morrer. Pessoas que você ama, pessoas que você não quer que se machuquem, essas são as primeiras a se machucar... O mais importante é nunca se apaixone... Encontre alguém para ter um filho, mas não se apaixone, apenas proteja seu herdeiro... Descanse, amanhã treinaremos mais...
E assim se seguiu todos os dias seguintes por um mês, treino após treino, desafio após desafio, Júlio se mostrava cada dia mais hábil para o titulo de detentor da paz. Artur cada dia que passava mostrava para seu filho um instinto assassino que Júlio nunca acreditara existir em seu pai, um instinto que ele teme provavelmente existir dentro dele.

Cap 3 parte 2 Cap 3 parte 4

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